quarta-feira, 23 de maio de 2012

o grande Bang

por Baruch Espinoza, nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677

'Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo  depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.'

Albert Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: 'Acredito no Deus de Espinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos seres humanos.'

sexta-feira, 18 de maio de 2012

razones para estarlo

No estoy fácil, no
No estoy dócil, no
No estoy cordial ni sensato
No tengo ninguna razón para estarlo

No estoy calmo, no
No estoy sobrio, no
No estoy alegre ni claro
No tengo ninguna razón para estarlo

Que voy a estar dócil si vino un imbécil
a hacerme difícil una noche fácil
se piensa que es ágil pero es medio fósil
y obviarlo es inútil justo hoy que estoy frágil
Sé que soy débil y medio volátil,
y que como un púgil mi lucha es estéril
que venga un inútil a hacerse el versátil
me deja inmóvil como el Dr. Jekill
Que voy a estar dúctil si cuenta tan grácil
que va en su automóvil fumando un Dunnhill
y que tuvo un par de problemas en Nashville:
uno eréctil y otro bursátil
No le anda el portátil para enviar un email,
jugar al Play Mobil ni leer un facsimil
y mi mente fértil cuestiona muy hábil
ese símil de vida tan inverosímil

No estoy fácil, no
No estoy dócil, no
No estoy cordial ni sensato
No tengo ninguna razón para estarlo

No estoy calmo, no
No estoy sobrio, no
No estoy alegre ni claro
No tengo ninguna razón para estarlo

Que voy a estar sobrio, si todo es tan turbio,
prefiero estar ebrio, y sin equilibrio
como dice el proverbio allá en mi suburbio,
perdí mi manubrio pero no masco vidrio
El futuro es sombrío y soy puro nervio,
parezco un disturbio entre un Bosnio y un Serbio
lo digo con brío pero sin resabio
que todo es un bodrio sin pecar de soberbio
Qué voy a estar calmo, no voy palmo a palmo,
y siempre le pido peras al olmo
a veces reclamo y no me reprimo,
si en mi taza hay un grumo ya seria el colmo
Este tramo de trama yo no lo filmo,
y si hay humo me oprimo la cabeza en un Yelmo
esto no es una promo y ya estoy al extremo,
de rezar como un plomo un salmo a San Telmo

No estoy fácil, no
No estoy dócil, no
No estoy cordial ni sensato
No tengo ninguna razón para estarlo

No estoy calmo, no
No estoy sobrio, no
No estoy alegre ni claro
No tengo ninguna razón para estarlo

Que voy a estar claro, si todo es tan duro,
y aunque ya ni lloro a veces suspiro
y como un bolillero, puede ser certero,
entre tanto entrevero poder dar un giro.
Será pasajero este clima tan raro?
porque en el apuro nada es duradero
y mis días que eran de oro y zafiro,
ahora son un tesoro yendo al sumidero.
Sé que no quiero quedar en lo oscuro
ni del futuro quedar al amparo
igual que un vampiro frente a un justiciero
o un carcelero en seguro de paro
y a pesar que es impuro este juego grosero,
no le disparo ni me retiro
no soy un cordero a matar con cianuro,
soy un guerrero y todavía respiro

No estoy fácil, no
No estoy dócil, no
No estoy cordial ni sensato
No tengo ninguna razón para estarlo

No estoy calmo, no
No estoy sobrio, no
No estoy alegre ni claro
No tengo ninguna razón para estarlo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

fragmentos da vida em prosa

- ela não gostou - ele disse de imediato.
- é claro que gostou.
- não gostou - ele insistiu. - ela não se divertiu.
ele ficou em silêncio, e reconheci sua inefável tristeza.
- estou me sentindo distante dela - afirmou. - é difícil fazê-la entender.
- você quer dizer, a dança?
- a dança? - ele afastou esa hipótese com um estalar de dedos. - meu velho, a dança não importa.
gatsby não esperava outra coisa de daisy senão que encarasse o marido e dissese: 'nunca te amei'. após apagar quatro anos com essa frase, então ambos poderiam tomar medidas mais práticas. uma delas era que, após a separação, daisy retornaria a louisville com gatrsby e se casaria em sua terra natal - como se fosse há cinco anos.
- e ela não consegue entender - ele disse. - ela costumava entender. ficamos sentados por horas...
ele se deteve e passou a andar de lá para cá num caminho desolado de cascas de frutas, lembranças abandonadas e flores esmagadas.
- veja, eu nao pediria tanto assim dela - arrisquei. - não dá pra repetir o passado.
- como assim, não dá pra repetir o passado? - ele gritou, incrédulo. - é claro que dá!
ele olhou furiosamente oa redor, como se o passado estivesse escondido à sombra de sua casa, bem ao alcance da mão.
- vou refazer tudo como era - ele disse, assentindo de um jeito decidido. - ela vai ver só.
gasby falou bastante sobre o passado e entendi que desejava recuperar alguma coisa, talvez a ideia de si mesmo, que perdera ao se apaixonar por daisy. desde então, sua vida fora confusa e desordenada, mas, se ao menos ele pudesse retornar a um determinado ponto de partida e refazê-lo vagarosamente, talvez conseguisse descobrir o que era...
...numa noite de outono, cinco anos antes, eles estavam descendo a rua enquanto as folhas caiam, e chegaram a um lugar onde não havia árvores e a calçada era prateada de luar. pararam por ali e se olharam. era uma noite fresca repleta daquela excitação misteriosa que ocorre nas duas grandes mudanças de estação. as luzes silenciosas das casas sussuravam na escuridão e havia certa inquietude nas estrelas. com o canto dos olhos, gatsby reparou que os blocos da calçada formavam uma escada perfeita que levava a um lugar secreto entre as árvores - que ele poderia escalar, se estivesse sozinho, e lá de cima sugar o seio da vida, absorvendo o incomparável leite de seu assombro.
seu coração bateu mais rápido quando o rosto de daisy se aproximou do seu. gatsby sabia que, após beijá-la, associando para sempre suas fantasias inexprimíveis àquela respiração fugaz, seu espírito nunca mais seria divertido como o espírito de deus. portanto ele esperou, ouvindo por mais um segundo o som do diapasão que tinia oa tocar numa estrela. então a beijou. ao toque de seus lábios, ela se abriu como uma flor e a encarnação se completou.
de tudo o que ele me disse, em meio a um sentimentalismo alarmante, lembro-me de uma coisa: um ritmo elusivo, um fragmento de palavras perdidas que já ouvira antes. por um instante, tentei formular uma frase e meus lábios se entreabriram feito os de um homem tolo, como se detidos por outros obstáculos além de um sopro de surpresa no ar. mas não consegui dizer nada, e minha quase lembrança se fez incomunicável para sempre.

[trecho do livro 'o Grande Gatsby', do monstro e ídolo Fitzgerald]
não é oportuno porque nada tem a ver com o momento, mas parece uma narrativa do passado.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

internacionalizar > globalizar

'fronteiras'. 'limites'. 'divisas'.
a geografia física é, na verdade, virtualmente definida e não nos damos conta.
nós mesmos nos 'dividimos' dos iguais. passamos milhares de anos, e seguimos lembrando o tempo inteiro das diferenças, forçando e reforçando acordos entre PARTES, em vez de tratarmos de unificar essas partes até voltarmos à estaca zero desse mundo, quando éramos da paz e da cooperação.
na verdade, meus queridos, nosso limite humano é a atmosfera, porque fora dela não sobrevivemos. dentro dela somos todos uma mesma espécie cometendo atrocidades contra a própria espécie.

e quanto mais 'divisões' criarmos entre nós, menos chances de sobreviver teremos.
globalização não me serve. eu voto pela INTERNACIONALIZAÇÃO do mundo, ao ponto que nações existam, mas que Estados não precisem disputar nada.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

love is the answer

your smile works like a flash light,
while your eyes stare me like lens,
and its brightness show me the picture you're taking.

(i mean,
i can only love you, you know?)

quarta-feira, 28 de março de 2012

atrito é fogo.

os físicos são,
na sua maioria,
sujeitos de pouca alegria
pois passam metade da vida
a desconsiderar o atrito.
engraçado...
é justamente do atrito
que surge, das mãos do homem,
a reação química mais antiga.

segunda-feira, 12 de março de 2012

wherever i'm with you

alabama, arkansas, i do love my ma and pa
not the way that i do love you
holy moly, me oh my, you're the apple of my eye 
girl i've never loved one like you

man o man your my best friend i scream it to the nothingness 
there ain't nothing that i need

hot and heavy, pumpkin pie 
chocolate, candy, jesus christ
ain't nothing please me more than you

oh home, let me come home
home is wherever there with you
oh home, yes i am home
home, you and me, and i and you.

lalalala take me home 
mama i'm coming home

i follow you into the park, through the jungle through the dark 
girl i've never loved one like you
moats and boats and waterfalls, alleyways and payphone calls 
i shall been everywhere with you (that's true!)

laugh until we think we'll die, barefoot on a summer night 
never could be sweeter than with you
and in the streets you run afree, 
like it's only you and me,
jeez, you're something to see...

home, let me come home
home is wherever there with you
home, yes i am home
home, you and me, and i and you.

oh home,
yes we come home,
home is wherever i'm with you.
our home, yeah we're home.
home is wherever i'm with you.